Quinta-feira, Setembro 01, 2005
O Purprazer, blog com dois anos, tem-se mantido, mas noutra casa como já aqui referi. Está no blogger brasil. Daqui a algum tempo é até natural que volte a este antigo suporte do blogger americano. Não deixe de estar connosco, porque a sau companhia é muito bem-vinda e estimada. Abraço,
Ângelo Ferreira
Ângelo Ferreira
O Purprazer, blog com dois anos, tem-se mantido, mas noutra casa como já aqui referi. Está no blogger brasil. Daqui a algum tempo é até natural que volte a este antigo suporte do blogger americano. Não deixe de estar connosco, porque a sau companhia é muito bem-vinda e estimada. Abraço,
Ângelo Ferreira
Ângelo Ferreira
Domingo, Agosto 15, 2004
Voltarei a este espaço para novos fins, talvez com mudança de endereço.
Vamos ver...
Sábado, Fevereiro 14, 2004
que chatice nao poder ver o blogue editado!!! o blogue no blogger brasil...
alguem me diz o que se passa?
alguem me diz o que se passa?
Segunda-feira, Dezembro 29, 2003
De volta só para desejar a todos Boas Festas e um excelente ano 2004!
E para vos convidar a visitar a nova casa do Purprazer, aqui, lugar de imagens, cores, aromas, sons e outros sentidos de sítios possíveis, impossíveis, imaginários e reais, alguns perto, outros longe, mas sempre casa, a minha casa, a vossa casa.
Um abraço cheio de mar.
E para vos convidar a visitar a nova casa do Purprazer, aqui, lugar de imagens, cores, aromas, sons e outros sentidos de sítios possíveis, impossíveis, imaginários e reais, alguns perto, outros longe, mas sempre casa, a minha casa, a vossa casa.
Um abraço cheio de mar.
Quarta-feira, Novembro 05, 2003
Sábado, Novembro 01, 2003
Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Novo Purprazer. Venham até lá a casa.
Posso servir-vos um Café de Ermera. Não imaginam como é saboroso, sobretudo bebido na montanha, com esta paisagem marivlhosa de fundo.
Abraço.
Posso servir-vos um Café de Ermera. Não imaginam como é saboroso, sobretudo bebido na montanha, com esta paisagem marivlhosa de fundo.
Abraço.
Terça-feira, Outubro 28, 2003
Vou entrar na missão de mudar de casa... aqui estou a ter problemas com afixação de imagens. deverei ir para serviço da blogger brasil. Mas depois, quando tiver mudado de casa totalmente, aviso. Um abraço amigos.
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Macau IV
Hei-de falar de Macau. Por enquanto deixo-vos apenas algumas imagens, para abrir apetites. Aquilo é mesmo lindo.
Faz um ano...
E todos esperamos que o Brasil se torne esse imenso país, só que com mais justiça, mais riqueza para todos. De resto, que continue a apaixonar-nos como tem feito, pelo menos a mim. Abraço forte de amizade e fraternidade a todos os brasileiros.
E todos esperamos que o Brasil se torne esse imenso país, só que com mais justiça, mais riqueza para todos. De resto, que continue a apaixonar-nos como tem feito, pelo menos a mim. Abraço forte de amizade e fraternidade a todos os brasileiros.
Carta aberta ao PGR...
Vale a pena ler a carta aberta do Bastonário da Ordem dos Advogados ao Procurador Geral da República.
Vale a pena ler a carta aberta do Bastonário da Ordem dos Advogados ao Procurador Geral da República.
Questão "Português Suave", parte 3
Caro PP:
Claro que não me parece razoável, próprio, sequer admíssivel, numa sociedade de bom-senso andarmos a contabilizar os custos de cada um(mesmo que seja de grupos. Nem sequer me parece razoável reduzir o problema do tabagismo a contas...
É um facto que os fumadores impõem custos ao resto da sociedade (dessa e de outra natureza e não se trata de nenhuma mentira). É verdade isso para muitos outros comportamentos em sociedade. É verdade que não queremos uma sociedade limpa de "pecado" ( que monotonia), nem tratar todas as opções individuais "insensatas" como crimes...
O que eu não consigo entender, é que os fumadores fiquem estupefacto, quase que ofendidos, quando o Estado toma a atitude sensata de tentar combater o tabagismos. As consequências, para outros, de fumar e a admissão da hipótese de que os menores entram "enganados" no hábitos dão, em meu entender, legitimidade à acção do Estado.
Quais os limites do Estado? O respeito pela liberdade e pela consciência do indivíduo. Mas isto é verdade para o tabagismo, como para qualquer outro vicio ou comportamento.
O que estavam aqui a falar é simplesmente da mudança do nome de um cigarro por poder ser entendido como publicidade enganosa. O que é que está errado? Porque é que os fumadores se exaltam?
Desculpe, mas não consigo entender...
A maioria dos fumadores que conheço, são terríveis nas punições que defendem para o uso de outras drogas. Isso deixa-me sempre um bocado baralhada...
cumprimentos
Saudade
Cara Saudade:
Viva!
Começo pelo fim: eu sou a favor, cada vez mais, da despenalização.
O Estado podia e devia fazer muito mais para informar e desmotivar os jovens, e todos os outros, para não fumar! Concordo em absoluto! O que não concordo é com demagogia, e há muitas coisas a montante do nome do tabaco, muitas! Mas que importa isso? O que importa é fechar os olhos e achar que a mudança de um nome, de uma marca, já fez alguma coisa pela tranquilidade da nossa consciência. E é isso que me parece que a União está a fazer, apenas isso, ou ainda, como dizia um amigo meu, pior: dá até jeito às tabaqueiras não ter lá as designações de light, leves ou suaves, porque assim ninguém lhes pode ir dizer que enganaram o consumidor e ninguém os pode processar (agora com a onda americana a alastrar, nunca se sabe).
As marcas de tantas outras coisas que também fazem mal à saúde não dizem tantas coisas do género?
Pois é, é só porque acho que o tabaco da marca Português Suave se pode chamar suave sem isso ser engano para ninguém (quem o fuma já deve saber isso, se alguém lho disser é claro), que me chateio com estas demagogias e falta de medidas sérias para combater o apelo (sim, porque há apelo e há prazer) de certas coisas maléficas para a saúde das pessoas.
Acabem com as máquinas onde os jovens tiram cigarros, acabem com a venda a menores, acabem com a venda de álcool aos jovens, e etc., e etc.
Mesmo assim, considero que não é esse o caminho...
Um abraço. E obrigado.
Caro PP:
Claro que não me parece razoável, próprio, sequer admíssivel, numa sociedade de bom-senso andarmos a contabilizar os custos de cada um(mesmo que seja de grupos. Nem sequer me parece razoável reduzir o problema do tabagismo a contas...
É um facto que os fumadores impõem custos ao resto da sociedade (dessa e de outra natureza e não se trata de nenhuma mentira). É verdade isso para muitos outros comportamentos em sociedade. É verdade que não queremos uma sociedade limpa de "pecado" ( que monotonia), nem tratar todas as opções individuais "insensatas" como crimes...
O que eu não consigo entender, é que os fumadores fiquem estupefacto, quase que ofendidos, quando o Estado toma a atitude sensata de tentar combater o tabagismos. As consequências, para outros, de fumar e a admissão da hipótese de que os menores entram "enganados" no hábitos dão, em meu entender, legitimidade à acção do Estado.
Quais os limites do Estado? O respeito pela liberdade e pela consciência do indivíduo. Mas isto é verdade para o tabagismo, como para qualquer outro vicio ou comportamento.
O que estavam aqui a falar é simplesmente da mudança do nome de um cigarro por poder ser entendido como publicidade enganosa. O que é que está errado? Porque é que os fumadores se exaltam?
Desculpe, mas não consigo entender...
A maioria dos fumadores que conheço, são terríveis nas punições que defendem para o uso de outras drogas. Isso deixa-me sempre um bocado baralhada...
cumprimentos
Saudade
Cara Saudade:
Viva!
Começo pelo fim: eu sou a favor, cada vez mais, da despenalização.
O Estado podia e devia fazer muito mais para informar e desmotivar os jovens, e todos os outros, para não fumar! Concordo em absoluto! O que não concordo é com demagogia, e há muitas coisas a montante do nome do tabaco, muitas! Mas que importa isso? O que importa é fechar os olhos e achar que a mudança de um nome, de uma marca, já fez alguma coisa pela tranquilidade da nossa consciência. E é isso que me parece que a União está a fazer, apenas isso, ou ainda, como dizia um amigo meu, pior: dá até jeito às tabaqueiras não ter lá as designações de light, leves ou suaves, porque assim ninguém lhes pode ir dizer que enganaram o consumidor e ninguém os pode processar (agora com a onda americana a alastrar, nunca se sabe).
As marcas de tantas outras coisas que também fazem mal à saúde não dizem tantas coisas do género?
Pois é, é só porque acho que o tabaco da marca Português Suave se pode chamar suave sem isso ser engano para ninguém (quem o fuma já deve saber isso, se alguém lho disser é claro), que me chateio com estas demagogias e falta de medidas sérias para combater o apelo (sim, porque há apelo e há prazer) de certas coisas maléficas para a saúde das pessoas.
Acabem com as máquinas onde os jovens tiram cigarros, acabem com a venda a menores, acabem com a venda de álcool aos jovens, e etc., e etc.
Mesmo assim, considero que não é esse o caminho...
Um abraço. E obrigado.
Propinas, conituação...
Um anónimo escreveu:
escreveu: "as propinas até deviam servir para pagar os estudos dos que não podem pagar."
Discutível. As receitas do orçamento não são em principio, com excepção das taxas , "ligadas" a uma despesa específica. Porque devem ser os que têm filhos a estudar, a subsidiar os outros estudantes? Estimular, facilitar, o acesso de jovens de familias carenciadas ao ensino, deve ser um compromisso de todos com a gerações futuras e não apenas dos pais dos jovens. A Universidade portuguesa, pese embora todos os seus vicios e dificuldades, foi um motor indicutivel do desenvolvimento e permitiu a milhares de portugueses romperem o ciclo de pobreza a que estavam destinados.
Esta ligação politicamente feita do "pagas propinas" tens "um ensino de qualidade" e "socialmente justo" está distorcida.
Os alunos, a sociedade, ganham (e merecem) com um ensino de qualidade independente dos meios de financiamento. O ensino é um investimento e não um gasto. Porque em Portugal tem um elevado retorno individual deve, em meu entender, ser comparticipado pelos indivíduos.
Entendo os seus argumentos e concordo de alguns. longe de querer ter a verdade sobre este ou qualquer outro assunto. Só não consigo pactuar com uma leitura da sociedade que reduz os jovens a palermas e rascas. E o meu email foi inundado com essas opiniões, a propósito da greve.
Resposta PP:
Estamos totalmente de acordo no que diz!
Também acho o ensino um investimento, e só porque -- ao contrário até do que já pensei em tempos idos--, acho que os indivíduos devem comparticipar(considero até que o estado devia cobrar as propinas só depois das pessoas encontrarem o seu primeiro emprego) os custos do ensino (até por muitas outras razões mais pragmáticas, como quem paga exige e quem paga aproveita...), referi que o dinheiro dessas propinas, entendido como um acréscimo ao orçamento de estado, poderia até financiar os colegas que não podem estudar ( e aqui aceito que cometi um excesso, numa ideia romântica de que os que têm até não se importariam de pagar para os que não têm. aceito que não será o mais correcto).
em quase todo o lado os estudantes pagam propinas, claro que com condições diferentes e formas diferentes de pagamento.
o que eu não aceito, isso sim é uma injustiça tremenda, é pessoas a fugir aos impostos, é estudantes a deixar de estudar por falta de dinheiro... é as bolsas entregues a quem não precisa delas.
mas nisto tudo como noutras coisas, a culpa é mais do cidadão do que do Estado (que tem a sua quota, claro!).
Considero os jovens de qualquer geração como seres humanos e nada mais, nada mais para baixo ou para cima, bem entendido.
Todos os seres humanos têm qualidades e potencial. O futuro de Portugal concerteza que são estes jovens e, por isso, é neles que temos de apostar.
Não são os jovens que são palermas e rascas, são alguns jovens, muitas vezes empurrados por adultos (partidos, professores, reitores... e por aí adiante)... que bem conheço o filme.
É preciso mostrar as qualidades destes nossos jovens, que fazem coisas extraordinárias, e é por isso que sou contra certas palermices que passam da maioria a imagem do que a maioria não é.
Abraço e obrigado.
Um anónimo escreveu:
escreveu: "as propinas até deviam servir para pagar os estudos dos que não podem pagar."
Discutível. As receitas do orçamento não são em principio, com excepção das taxas , "ligadas" a uma despesa específica. Porque devem ser os que têm filhos a estudar, a subsidiar os outros estudantes? Estimular, facilitar, o acesso de jovens de familias carenciadas ao ensino, deve ser um compromisso de todos com a gerações futuras e não apenas dos pais dos jovens. A Universidade portuguesa, pese embora todos os seus vicios e dificuldades, foi um motor indicutivel do desenvolvimento e permitiu a milhares de portugueses romperem o ciclo de pobreza a que estavam destinados.
Esta ligação politicamente feita do "pagas propinas" tens "um ensino de qualidade" e "socialmente justo" está distorcida.
Os alunos, a sociedade, ganham (e merecem) com um ensino de qualidade independente dos meios de financiamento. O ensino é um investimento e não um gasto. Porque em Portugal tem um elevado retorno individual deve, em meu entender, ser comparticipado pelos indivíduos.
Entendo os seus argumentos e concordo de alguns. longe de querer ter a verdade sobre este ou qualquer outro assunto. Só não consigo pactuar com uma leitura da sociedade que reduz os jovens a palermas e rascas. E o meu email foi inundado com essas opiniões, a propósito da greve.
Resposta PP:
Estamos totalmente de acordo no que diz!
Também acho o ensino um investimento, e só porque -- ao contrário até do que já pensei em tempos idos--, acho que os indivíduos devem comparticipar(considero até que o estado devia cobrar as propinas só depois das pessoas encontrarem o seu primeiro emprego) os custos do ensino (até por muitas outras razões mais pragmáticas, como quem paga exige e quem paga aproveita...), referi que o dinheiro dessas propinas, entendido como um acréscimo ao orçamento de estado, poderia até financiar os colegas que não podem estudar ( e aqui aceito que cometi um excesso, numa ideia romântica de que os que têm até não se importariam de pagar para os que não têm. aceito que não será o mais correcto).
em quase todo o lado os estudantes pagam propinas, claro que com condições diferentes e formas diferentes de pagamento.
o que eu não aceito, isso sim é uma injustiça tremenda, é pessoas a fugir aos impostos, é estudantes a deixar de estudar por falta de dinheiro... é as bolsas entregues a quem não precisa delas.
mas nisto tudo como noutras coisas, a culpa é mais do cidadão do que do Estado (que tem a sua quota, claro!).
Considero os jovens de qualquer geração como seres humanos e nada mais, nada mais para baixo ou para cima, bem entendido.
Todos os seres humanos têm qualidades e potencial. O futuro de Portugal concerteza que são estes jovens e, por isso, é neles que temos de apostar.
Não são os jovens que são palermas e rascas, são alguns jovens, muitas vezes empurrados por adultos (partidos, professores, reitores... e por aí adiante)... que bem conheço o filme.
É preciso mostrar as qualidades destes nossos jovens, que fazem coisas extraordinárias, e é por isso que sou contra certas palermices que passam da maioria a imagem do que a maioria não é.
Abraço e obrigado.
Poesia...
O Mundo é Grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade
O Mundo é Grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade
Poesia...
para quem anda desanimado:
No Meio do Caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
para quem anda desanimado:
No Meio do Caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
Continuo a aguardar poemas para publicar...
ninguém quer contribuir? E excertos de textos dos vossos livros preferidos?
ninguém quer contribuir? E excertos de textos dos vossos livros preferidos?
Domingo, Outubro 26, 2003
Poesia...
Morango. O frágil
coração da terra
levado à boca.
Com as flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Morango. O frágil
coração da terra
levado à boca.
Com as flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Macau III
Aqui eu contemplei. Aqui eu descansei, imaginei a paixão de um homem pelo seu país e pelas letras. Pelo Mundo todo.
Gruta de Camões em Macau.
24 Heures à Lisbonne
A TV5 Asie transmitiu entre o dia 25 e 26 um programa a que deram o nome acima referido sobre Portugal. Fantástico! Muito bom mesmo! Aprendi mais sobre Portugal numa iniciativa da TV5 francesa (apesar de ter a parceria da RTP) do que alguma vez na televisão portuguesa! E não é exagero. Foram 24 horas em que tive dificuldade em desligar a televisão, em que estive até aos limites das minhas forças a ver como é Portugal nas suas mais diversificadas vertentes: as pessoas e os costumes, as paisagens, a indústria, a educação, a cultura, a história. Fiquei a saber coisas que nem sonhava e ainda por cima numa visão cosntrutiva, numa visão que, mostrando o passado, procurava descobrir os caminhos do futuro.
Fizeram mais pela nossa cultura em 24 horas, por exemplo no Oriente, do que a RTP internacional o ano todo. Exagero?
A TV5 Asie transmitiu entre o dia 25 e 26 um programa a que deram o nome acima referido sobre Portugal. Fantástico! Muito bom mesmo! Aprendi mais sobre Portugal numa iniciativa da TV5 francesa (apesar de ter a parceria da RTP) do que alguma vez na televisão portuguesa! E não é exagero. Foram 24 horas em que tive dificuldade em desligar a televisão, em que estive até aos limites das minhas forças a ver como é Portugal nas suas mais diversificadas vertentes: as pessoas e os costumes, as paisagens, a indústria, a educação, a cultura, a história. Fiquei a saber coisas que nem sonhava e ainda por cima numa visão cosntrutiva, numa visão que, mostrando o passado, procurava descobrir os caminhos do futuro.
Fizeram mais pela nossa cultura em 24 horas, por exemplo no Oriente, do que a RTP internacional o ano todo. Exagero?
Poesia...
Oferta de Deméter. Muito obrigado e um abraço caloroso cheio de mar.
Sou flor
Para viver a Primavera
Ainda plantada em solidão
Tornei-me frágil vegetal
Brinquei então de flor
Em meio a borboletas
Fui flor-botão
Flor-perfume, flor-beleza
de coloridos matizes
Estive no bouquet
Que celebrava a Vida
Estive na coroa
Que reverenciava a Morte
Adornei as juras escondidas
Consolei as lágrimas de saudade
Frágil, feneci sozinha
Num solitário de vidro
Na mesa de um jornal.
Um grande abraço!
Deméter
Oferta de Deméter. Muito obrigado e um abraço caloroso cheio de mar.
Sou flor
Para viver a Primavera
Ainda plantada em solidão
Tornei-me frágil vegetal
Brinquei então de flor
Em meio a borboletas
Fui flor-botão
Flor-perfume, flor-beleza
de coloridos matizes
Estive no bouquet
Que celebrava a Vida
Estive na coroa
Que reverenciava a Morte
Adornei as juras escondidas
Consolei as lágrimas de saudade
Frágil, feneci sozinha
Num solitário de vidro
Na mesa de um jornal.
Um grande abraço!
Deméter
Agradecimento a todos aqueles que trazem para aqui os seus contributos. Como já disse, não vivo de certezas mas antes do confronto com as ideias dos outros.
Sobre as Propinas e a Guerra dos Cadeados, continuação...
Anonymous no post anterior sobre este assunto:
EU cá gosto dos cadeados! Não por ser contra as propinas ( se tiver tempo escrevo os argumentos a favor) mas por achar que a maioria dos alunos está verdadeiramente empenhada na causa.
Gosto muito menos de os ver inactivos, sem causas, iguais aos avôs deles...Gosto ainda menos de os ver faltar, porque andam em praxes pouco originais, pouco dignificadoras e totalmente rudes.
A greve fez-me acreditar que ainda os vou ver indignados contra esta patética lei do financiamento das universidades, contra as dificuldades de acesso dos mais pobres à universidade, contra o carneirismo e a falta de originalidade que caracteriza a universidade portuguesa.
Ao de leve, os cadeados fizeram-me acreditar que os jovens ainda se apaixonam e acreditam na sua força...
E eu digo:
ninguém pode impedir os outros de assistir às aulas assim, não está correcto. e eu até já participei numa coisa semelhante e arrependi-me para sempre, porquê? porque é precisamente isso que faz com que os estudantes não se interessem minimamente por causa nenhuma. neste caso ficam em casa porque sabem que os seus coleguinhas (com outros interesses pouco condizentes com o que dizem) lhes fazem o favor de "lutar" por eles... é uma festa!
os estudantes não têm agarrado em causa nenhuma, essa é que é a verdade. sei do que falo, andei por lá, tive responsabilidades. é mais difícil, no actual contexto de competição, levar um estudante a interessar-se por uma causa (se não lhe doer a ele...) do que fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha! e isto não é para acusar e responsabilizar os estudantes de nada, a culpa, efectivamente, não é deles, mas da herança medíocre que os "donos" do 25 de abril lhes deixaram. uns diriam que foi do Cavaquismo, mas não, deixem lá o homem em paz, que não tem de pagar por todos os nossos erros.
a sociedade portuguesa precisa de reflexão, de envolver todos na missão que é procurar um Portugal melhor, de dar valor a quem tem valor, de dar ajuda a quem precisa de ajuda (contribuindo mais quem mais tem, para dividir o "mal" pelas aldeias), de mobilizar todos para causas, de responsabilisar todos no esforço de sermos melhores, de acabar com a baixa autoestima, de acabar com a cunha, de acabar com "a culpa é sempre dos outros" (que no ensino leva professores a empurrar para alunos e alunos a empurrar para professores todo o insucesso do sistema), etc, etc.
a teoria do cadeado não reforça causa nenhuma, apenas institui o poder da força, da insensatez. talvez seja preferível perder direitos para os ter de conquistar com a cabeça, com o empenho, do que ter sempre os líderes (?) a fazer as coisas por nós... e a reproduzir tudo o que de errado vem detrás.
abraço amigo.
E:
bem, e de facto a lei é má. mas é sobretudo má porque os que mais responsabilidade têm se calam... as universidades escondem-se por detrás dos carneiros, aqueles que fecham universidades a cadeado para conseguir por ministros abaixo e sumar créditos para uma qualquer estratégia... que nem sempre lhes resolve os problemas a sério... e há muitos no ensino, bem mais sérios!
que se voltem contra o despesismo em tanta instituição, contra o chumbo desmesurado sem esforço dos docentes, contra a falta de condições de estudo, contra as praxes estúpidas e contra o excesso de álcool, contra a tradição de faltar às aulas que incutem aos recém-chegados à univ., contra o engano das vagas que lhes atiram para a frente dos olhos com publicidades enganosas, contra a falta de rigor, contra o egoísmo e falta de solidariedade, contra a ausência de pensamento crítico e intervenção social, contra a falta de maturidade, contra os gameboys em vez da discussão, da partilha de ideias, de saberes.
enfim, muito havia para dizer sobre isto.
os estudantes, sempre o disse, se quisessem, quando o quisessem podiam mudar o país... mas não, acordam quando lhes falta o dinheiro, quando sabem que os pais os vão começar a pressionar por não acabarem os cursos, porquer aí estarão a pagar!
se se derem condições aos estudantes que não podem pagar... e nenhuma pessoa ficar fora do sistema por falta de maios financeiros, então estaremos no bom caminho.
as propinas até deviam servir para pagar os estudos dos que não podem pagar.
mas o problema, o verdadeiro, é que ninguém quer pagar impostos em Portugal. quase todos fogem, mesmo muitos daqueles que se fartam de refilar contra a fuga! (até responsáveis políticos, como se tem visto!, e o exemplo deve vir de cima, seja lá onde isso for). podia até falar disto no que diz respeito às escolas e universidades, aos "trabalhos públicos", mas não vale a pena...
há outros caminhos para as causas e para a justiça. não ao cadeado, a não ser em caso de guerra aberta, em caso de não haver possibilidade de lutar de outra forma, de forma democrática e com respeito pela liberdade dos outros!
impedir-se as pessoas de ir a aulas, de ir trabalhar, de ir onde querem ir, pode ter consequ~encias que, neste caso específico, pode estragar a vida dos tais pobres, dos tais menos favorecidos... já vi isso acontecer.
abraço.
Anonymous no post anterior sobre este assunto:
EU cá gosto dos cadeados! Não por ser contra as propinas ( se tiver tempo escrevo os argumentos a favor) mas por achar que a maioria dos alunos está verdadeiramente empenhada na causa.
Gosto muito menos de os ver inactivos, sem causas, iguais aos avôs deles...Gosto ainda menos de os ver faltar, porque andam em praxes pouco originais, pouco dignificadoras e totalmente rudes.
A greve fez-me acreditar que ainda os vou ver indignados contra esta patética lei do financiamento das universidades, contra as dificuldades de acesso dos mais pobres à universidade, contra o carneirismo e a falta de originalidade que caracteriza a universidade portuguesa.
Ao de leve, os cadeados fizeram-me acreditar que os jovens ainda se apaixonam e acreditam na sua força...
E eu digo:
ninguém pode impedir os outros de assistir às aulas assim, não está correcto. e eu até já participei numa coisa semelhante e arrependi-me para sempre, porquê? porque é precisamente isso que faz com que os estudantes não se interessem minimamente por causa nenhuma. neste caso ficam em casa porque sabem que os seus coleguinhas (com outros interesses pouco condizentes com o que dizem) lhes fazem o favor de "lutar" por eles... é uma festa!
os estudantes não têm agarrado em causa nenhuma, essa é que é a verdade. sei do que falo, andei por lá, tive responsabilidades. é mais difícil, no actual contexto de competição, levar um estudante a interessar-se por uma causa (se não lhe doer a ele...) do que fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha! e isto não é para acusar e responsabilizar os estudantes de nada, a culpa, efectivamente, não é deles, mas da herança medíocre que os "donos" do 25 de abril lhes deixaram. uns diriam que foi do Cavaquismo, mas não, deixem lá o homem em paz, que não tem de pagar por todos os nossos erros.
a sociedade portuguesa precisa de reflexão, de envolver todos na missão que é procurar um Portugal melhor, de dar valor a quem tem valor, de dar ajuda a quem precisa de ajuda (contribuindo mais quem mais tem, para dividir o "mal" pelas aldeias), de mobilizar todos para causas, de responsabilisar todos no esforço de sermos melhores, de acabar com a baixa autoestima, de acabar com a cunha, de acabar com "a culpa é sempre dos outros" (que no ensino leva professores a empurrar para alunos e alunos a empurrar para professores todo o insucesso do sistema), etc, etc.
a teoria do cadeado não reforça causa nenhuma, apenas institui o poder da força, da insensatez. talvez seja preferível perder direitos para os ter de conquistar com a cabeça, com o empenho, do que ter sempre os líderes (?) a fazer as coisas por nós... e a reproduzir tudo o que de errado vem detrás.
abraço amigo.
E:
bem, e de facto a lei é má. mas é sobretudo má porque os que mais responsabilidade têm se calam... as universidades escondem-se por detrás dos carneiros, aqueles que fecham universidades a cadeado para conseguir por ministros abaixo e sumar créditos para uma qualquer estratégia... que nem sempre lhes resolve os problemas a sério... e há muitos no ensino, bem mais sérios!
que se voltem contra o despesismo em tanta instituição, contra o chumbo desmesurado sem esforço dos docentes, contra a falta de condições de estudo, contra as praxes estúpidas e contra o excesso de álcool, contra a tradição de faltar às aulas que incutem aos recém-chegados à univ., contra o engano das vagas que lhes atiram para a frente dos olhos com publicidades enganosas, contra a falta de rigor, contra o egoísmo e falta de solidariedade, contra a ausência de pensamento crítico e intervenção social, contra a falta de maturidade, contra os gameboys em vez da discussão, da partilha de ideias, de saberes.
enfim, muito havia para dizer sobre isto.
os estudantes, sempre o disse, se quisessem, quando o quisessem podiam mudar o país... mas não, acordam quando lhes falta o dinheiro, quando sabem que os pais os vão começar a pressionar por não acabarem os cursos, porquer aí estarão a pagar!
se se derem condições aos estudantes que não podem pagar... e nenhuma pessoa ficar fora do sistema por falta de maios financeiros, então estaremos no bom caminho.
as propinas até deviam servir para pagar os estudos dos que não podem pagar.
mas o problema, o verdadeiro, é que ninguém quer pagar impostos em Portugal. quase todos fogem, mesmo muitos daqueles que se fartam de refilar contra a fuga! (até responsáveis políticos, como se tem visto!, e o exemplo deve vir de cima, seja lá onde isso for). podia até falar disto no que diz respeito às escolas e universidades, aos "trabalhos públicos", mas não vale a pena...
há outros caminhos para as causas e para a justiça. não ao cadeado, a não ser em caso de guerra aberta, em caso de não haver possibilidade de lutar de outra forma, de forma democrática e com respeito pela liberdade dos outros!
impedir-se as pessoas de ir a aulas, de ir trabalhar, de ir onde querem ir, pode ter consequ~encias que, neste caso específico, pode estragar a vida dos tais pobres, dos tais menos favorecidos... já vi isso acontecer.
abraço.
Questão "Português Suave", continuação...
Diz Saudade:
"O que acontece, porém, é que os fumadores não pagam na totalidade a sua "estupidez". Os impostos pagos são inferiores aos custos acrescidos de saúde dos fumadores.
Onde nos ode levar este raciocinio? A posições extremistas. Então, não se paga os custos de saúde de quem anda sem capacete? De quem não usa preservativo? De um ladrão que cai em fuga?
Para evitar extremismos, felicito todas as medidas que reduzam o número de jovens a fumarem. Se deve ser Bruxelas ou o governo português. Assunto de menor importância neste caso, Ou esquecem que eles (bem ou mal) mandam na nossa moeda, no nosso orçamento, na nossa agricultura... Adeus enchidos..."
E eu respondo:
essa dos impostos para pagar não sei bem o quê é um pouco, só um pouco, demagógica. não entro por aí, até porque não é verdade. o tabaco assume-se de elevado lucro para o estado! estatísticas há as que se encomendam!
e admito perfeitamente que ele ainda se torne mais caro, mas sem exageros de inquisição! as pessoas acépticas entram sempre em contradição, bastava 24 horas na sua vida para o verificar...
há mais doenças cardiovasculares provocadas por muitas outras coisas que não incomodam ninguém, como o fumo produzido pelos carrinhos, pela gorduras na comida (ninguém proíbe...), etc. o importante é algum bom senso e equilíbrio... penso eu.
e quanto a "Para evitar extremismos, felicito todas as medidas que reduzam o número de jovens a fumarem. Se deve ser Bruxelas ou o governo português." lamento ter de discordar, porque também se podia fazer cumprir a legislação já vigente e não se cumpre (proibido vender tabaco e bebidas a menores... etc, etc), todos fecham os olhos aos hábitos alcoólicos dos estudantes nas escolas, abandonam os filhos, não lhes dão educação, não os informam (mas no macito é que tem de vir a dizer que mata...), etc.
e saúde deve ser paga para toda a doença, porque senão... estamos a entrar num mau caminho, encostando os que erraram a um canto como se fazia aos leprosos. a um doente não se deve negar apoio, esmo que ele tenha sido responsável por se ter "aleijado"! argumentos em contrário, como esses dos impostos, nestes casos, assustam-me muito!
a essas pessoas, limpas de vício, costumo dizer que não cuspam nunca para o céu.
mas devo dizer em todo o caso que vejo nas suas preocupações uma genuína vontade de tornar as coisas melhores.
obrigado pela sua opinião, porque eu vivo do confronto das minhas com a dos outros e não de certezas.
abraço.
Diz Saudade:
"O que acontece, porém, é que os fumadores não pagam na totalidade a sua "estupidez". Os impostos pagos são inferiores aos custos acrescidos de saúde dos fumadores.
Onde nos ode levar este raciocinio? A posições extremistas. Então, não se paga os custos de saúde de quem anda sem capacete? De quem não usa preservativo? De um ladrão que cai em fuga?
Para evitar extremismos, felicito todas as medidas que reduzam o número de jovens a fumarem. Se deve ser Bruxelas ou o governo português. Assunto de menor importância neste caso, Ou esquecem que eles (bem ou mal) mandam na nossa moeda, no nosso orçamento, na nossa agricultura... Adeus enchidos..."
E eu respondo:
essa dos impostos para pagar não sei bem o quê é um pouco, só um pouco, demagógica. não entro por aí, até porque não é verdade. o tabaco assume-se de elevado lucro para o estado! estatísticas há as que se encomendam!
e admito perfeitamente que ele ainda se torne mais caro, mas sem exageros de inquisição! as pessoas acépticas entram sempre em contradição, bastava 24 horas na sua vida para o verificar...
há mais doenças cardiovasculares provocadas por muitas outras coisas que não incomodam ninguém, como o fumo produzido pelos carrinhos, pela gorduras na comida (ninguém proíbe...), etc. o importante é algum bom senso e equilíbrio... penso eu.
e quanto a "Para evitar extremismos, felicito todas as medidas que reduzam o número de jovens a fumarem. Se deve ser Bruxelas ou o governo português." lamento ter de discordar, porque também se podia fazer cumprir a legislação já vigente e não se cumpre (proibido vender tabaco e bebidas a menores... etc, etc), todos fecham os olhos aos hábitos alcoólicos dos estudantes nas escolas, abandonam os filhos, não lhes dão educação, não os informam (mas no macito é que tem de vir a dizer que mata...), etc.
e saúde deve ser paga para toda a doença, porque senão... estamos a entrar num mau caminho, encostando os que erraram a um canto como se fazia aos leprosos. a um doente não se deve negar apoio, esmo que ele tenha sido responsável por se ter "aleijado"! argumentos em contrário, como esses dos impostos, nestes casos, assustam-me muito!
a essas pessoas, limpas de vício, costumo dizer que não cuspam nunca para o céu.
mas devo dizer em todo o caso que vejo nas suas preocupações uma genuína vontade de tornar as coisas melhores.
obrigado pela sua opinião, porque eu vivo do confronto das minhas com a dos outros e não de certezas.
abraço.
Sábado, Outubro 25, 2003
Um abraço e bom Domingo, o dia da família.
Um beijo especial a todos os "meus" que se encontram longe e que, com muita saudade, tenho perto de mim. Quem me dera estar aí para almoçar convosco, provavelmente um daqueles assados do pai, ou ainda uma canjinha da mãe. E uns bichinhos de entrada, claro. Depois um bom vinho tinto a acompanhar, uma boa conversa à italiana, e uma óptima sobremesa (podia ser um bolo de bolacha). E a vossa companhia, ah a vossa companhia!
Um beijo especial a todos os "meus" que se encontram longe e que, com muita saudade, tenho perto de mim. Quem me dera estar aí para almoçar convosco, provavelmente um daqueles assados do pai, ou ainda uma canjinha da mãe. E uns bichinhos de entrada, claro. Depois um bom vinho tinto a acompanhar, uma boa conversa à italiana, e uma óptima sobremesa (podia ser um bolo de bolacha). E a vossa companhia, ah a vossa companhia!
Desafio
A todos os amigos que aqui vêm quero lançar o desafio de partilharem com o Purprazer os seus poemas favoritos, ou ainda extractos dos livros de que mais gostaram...
Eu por mim cá vou partilhando algumas leituras. E a sugestão de publicar textos de autores timorenses está a fervilhar...
Um abraço cheio de calor.
A todos os amigos que aqui vêm quero lançar o desafio de partilharem com o Purprazer os seus poemas favoritos, ou ainda extractos dos livros de que mais gostaram...
Eu por mim cá vou partilhando algumas leituras. E a sugestão de publicar textos de autores timorenses está a fervilhar...
Um abraço cheio de calor.
Poesia...
Efémero
é o relâmpago, mas faz
da noite uma aurora.
Com as flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Efémero
é o relâmpago, mas faz
da noite uma aurora.
Com as flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Publico o comentário de Saudade ao post citando o Aviz sobre a
Questão "Português Suave"
A opressao "a aá bruxelas" enfurece-me. Quero poder comprar uva americana e maça da porta da loja e antevejo, com pânico, a morte dos enchidos caseiros e o fim da feira de Carcavelos...
No que se refere ao "suave", deixe-me dizer-lhe que abunda evidencia empirica que a informaçao contribui para diminuir o numero de adolescentes que começam a fumar. Nao ha estudos, que eu conheça, realizados em Portugal, mas nao ha razoes para supor que os adolescentes portugueses reajam de maneira muito diferente a informaçao.
Como o cigarro de suave não tem nada, nem mesmo por ser portugues, a mudanca de nome pode ser um exagero mas nao e injustificada.
Preparem-se os fumadores para medidas bem mais duras, com exageros que poderao levar a diminuiçao dos direitos individuais.
A torcer estou pela proibicao aos fumadores na pastelaria onde tomo o pequeno almoco. Por que raios, ha sempre um que resolve sentar-se perto de mim e me tira o prazer de saborear o bolo?
Saudade
Resposta:
É bem verdade saudade, mas não entremos em jogos de hipocrisia, especialmente aceitando certas ordens de cima, isto é, dos gajos da união (?).
Até aceito que a informação pode levar os menores a fumar menos... talvez, talvez. e eu sei que há estudos para tudo...
Custa-me acreditar que já não é suficiente, por essa ordem de ideias, os colossais avisos de morte que estão colocados nos maços de tabaco. será que isso não assusta suficientemente os jovens? então temos aqui uma contradição.
É preciso pensar nas marcas de tanta porcaria que por aí há que não são nem suaves, nem doces, nem inofensivas, nem tanta coisa, não é? e aí, alguém proíbe ou manda alterar os nomes das marcas???
quando muito aceito a alteração das indicações que classificam o produto, as marcas não, é um abuso!
Depois, há muitas pessoas que aceitam de bom grado toda a onda repressora dos fumadores, mas que depois são a favor da liberalização das drogas (e eu até me inclino para aí), e isto torna tudo muito confuso...
Parece que há aí uma corrente de gente acéptica que quer meter todos os pecadores num cubículo, numa jaula.
Claro, os fumadores não têm razão, sobretudo se estiverem a fumar junto de não fumadores, de acordo. E, portanto, na sua pastelaria as pessoas deviam estar proibidas de fumar, é verdade. Eu sou a favor disso.
Pode até ser que daqui a um tempo existam pastelarias onde os fumadores possam tomar o seu café em paz, relaxar, sem ter que estar sempre a olhar para o lado e para si mesmos como se fossem criminosos.
Fumar é uma perfeita estupidez, uma loucura, uma burrice, porque faz mal à saúde, mata. É verdade, só não gosto é de extremistas.
Mas quantas coisas fazem mal à saúde, são uma burrice e matam? Muitas. As mais gostosas tantas vezes. A própria vida!
E obrigado. Volte sempre. Aqui não há fumo!
Questão "Português Suave"
A opressao "a aá bruxelas" enfurece-me. Quero poder comprar uva americana e maça da porta da loja e antevejo, com pânico, a morte dos enchidos caseiros e o fim da feira de Carcavelos...
No que se refere ao "suave", deixe-me dizer-lhe que abunda evidencia empirica que a informaçao contribui para diminuir o numero de adolescentes que começam a fumar. Nao ha estudos, que eu conheça, realizados em Portugal, mas nao ha razoes para supor que os adolescentes portugueses reajam de maneira muito diferente a informaçao.
Como o cigarro de suave não tem nada, nem mesmo por ser portugues, a mudanca de nome pode ser um exagero mas nao e injustificada.
Preparem-se os fumadores para medidas bem mais duras, com exageros que poderao levar a diminuiçao dos direitos individuais.
A torcer estou pela proibicao aos fumadores na pastelaria onde tomo o pequeno almoco. Por que raios, ha sempre um que resolve sentar-se perto de mim e me tira o prazer de saborear o bolo?
Saudade
Resposta:
É bem verdade saudade, mas não entremos em jogos de hipocrisia, especialmente aceitando certas ordens de cima, isto é, dos gajos da união (?).
Até aceito que a informação pode levar os menores a fumar menos... talvez, talvez. e eu sei que há estudos para tudo...
Custa-me acreditar que já não é suficiente, por essa ordem de ideias, os colossais avisos de morte que estão colocados nos maços de tabaco. será que isso não assusta suficientemente os jovens? então temos aqui uma contradição.
É preciso pensar nas marcas de tanta porcaria que por aí há que não são nem suaves, nem doces, nem inofensivas, nem tanta coisa, não é? e aí, alguém proíbe ou manda alterar os nomes das marcas???
quando muito aceito a alteração das indicações que classificam o produto, as marcas não, é um abuso!
Depois, há muitas pessoas que aceitam de bom grado toda a onda repressora dos fumadores, mas que depois são a favor da liberalização das drogas (e eu até me inclino para aí), e isto torna tudo muito confuso...
Parece que há aí uma corrente de gente acéptica que quer meter todos os pecadores num cubículo, numa jaula.
Claro, os fumadores não têm razão, sobretudo se estiverem a fumar junto de não fumadores, de acordo. E, portanto, na sua pastelaria as pessoas deviam estar proibidas de fumar, é verdade. Eu sou a favor disso.
Pode até ser que daqui a um tempo existam pastelarias onde os fumadores possam tomar o seu café em paz, relaxar, sem ter que estar sempre a olhar para o lado e para si mesmos como se fossem criminosos.
Fumar é uma perfeita estupidez, uma loucura, uma burrice, porque faz mal à saúde, mata. É verdade, só não gosto é de extremistas.
Mas quantas coisas fazem mal à saúde, são uma burrice e matam? Muitas. As mais gostosas tantas vezes. A própria vida!
E obrigado. Volte sempre. Aqui não há fumo!
Estudar
Há um miúdo que faz 1.30 h de caminho, a pé, para estar às 8 h nas aulas! Não tem transporte àquela hora, e mesmo que tivesse, dificilmente conseguia o dinheiro para o pagar todos os dias. Isto é vontade!
Há um miúdo que faz 1.30 h de caminho, a pé, para estar às 8 h nas aulas! Não tem transporte àquela hora, e mesmo que tivesse, dificilmente conseguia o dinheiro para o pagar todos os dias. Isto é vontade!
Poesia...
Livreiro da Esperança
Há homens que são capazes
de uma flor onde
as flores não nascem.
Outros abrem velhas portas
em velhas casas fechadas há muito.
Outros ainda despedaçam muros
acendem nas praças uma rosa de fogo.
Tu vendes livros quer dizer
entregas a cada homem
teu coração dentro de cada livro.
Manuel Alegre
Livreiro da Esperança
Há homens que são capazes
de uma flor onde
as flores não nascem.
Outros abrem velhas portas
em velhas casas fechadas há muito.
Outros ainda despedaçam muros
acendem nas praças uma rosa de fogo.
Tu vendes livros quer dizer
entregas a cada homem
teu coração dentro de cada livro.
Manuel Alegre
Poesia...
Noite
Sozinha estou entre paredes brancas
Pela janela azul entrou a noite
Com o seu rosto altíssimo de estrelas.
No Tempo Dividido e Mar Novo, Sophia de Mello Breyner Andresen
Noite
Sozinha estou entre paredes brancas
Pela janela azul entrou a noite
Com o seu rosto altíssimo de estrelas.
No Tempo Dividido e Mar Novo, Sophia de Mello Breyner Andresen
Livros...
"Mais anos passarão e atrás deles virá a solidão sombria, virá, com o seu cajado, a velhice tremente, e com isso a mágoa e a amargura."
Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski
"Mais anos passarão e atrás deles virá a solidão sombria, virá, com o seu cajado, a velhice tremente, e com isso a mágoa e a amargura."
Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski
Livros...
"... mas afinal, Macau, como todos os meios pequenos era muito fértil em intrigas."
Os Comedores de Pérolas, J. Aguiar
(de onde é que eu reconheço isto?)
"... mas afinal, Macau, como todos os meios pequenos era muito fértil em intrigas."
Os Comedores de Pérolas, J. Aguiar
(de onde é que eu reconheço isto?)
Livros...
"Segundo os ataurenses, é no mais alto do Mano Coco que se encontra a nascente do mar (tassi U), o mesmo mar Mulher que banha a costa norte de Timor. De Díli vejo-o umas vezes com uma densa pluma nebulosa e outras com um simples penacho que se forma na encosta voltada ao vento e se estende cobrindo o seu cume do monte como se tufo de algodão a esgueirar-se para a vertente contrária."
Voltar a Timor, Manuel da Costa Alves, Gradiva
"Segundo os ataurenses, é no mais alto do Mano Coco que se encontra a nascente do mar (tassi U), o mesmo mar Mulher que banha a costa norte de Timor. De Díli vejo-o umas vezes com uma densa pluma nebulosa e outras com um simples penacho que se forma na encosta voltada ao vento e se estende cobrindo o seu cume do monte como se tufo de algodão a esgueirar-se para a vertente contrária."
Voltar a Timor, Manuel da Costa Alves, Gradiva
Do Aviz, concordo e afixo:
A QUESTÃO «PORTUGUÊS SUAVE».
Um esclarecimento. Quando abordei no Aviz a questão «Português Suave» não se tratava de defender o tabaco contra os não-fumadores, ou de iniciar uma discussão sobre os direitos dos não-fumadores. Era muito mais simples: por que é que os merdosos de Bruxelas tinham implicado com o «Suave» de «Português Suave»? A conversa alastrou e transformou-se, aos poucos, num debate sobre os malefícios do tabaco. Nunca alinhei nessa trapalhada — o cigarro faz mal. Ponto. Penso, cerca de duzentas vezes por ano, em deixar de fumar. A única coisa que me impede é o prazer que isso me dá. É um prazer imbecil, inútil. É provável que outros vícios, como o álcool, tenham um «lado bom» — questões cardiovasculares pelo meio —, um lado não totalmente prejudicial.
Simplesmente, no lugar onde trabalho, circulou um abaixo-assinado (não na minha redacção) sobre o assunto. Os termos são tão agressivos, tão seguros do mal que lhes fazem, tão segregadores e maldosos, que temo bastante que um mundo dominado por esta gente se pareça vagamente com um purgatório.
Para encerrar a questão: sim, os não-fumadores têm razão. E têm razão os puros de sangue e os puros de espírito, e os desportistas, os que fazem jogging, os que não comem fritos (não, isto não é piada ao Bruno), os que se levantam cedo, os que fazem ginástica, os que são certinhos, os que tomam vacina contra a gripe, os que só lêem boa literatura, os que vigiam o colesterol, os que são perfeitos, os que não bebem cerveja, tudo isso. Eles têm razão. Mas uma coisa me inquieta: por que é que os merdosos de Bruxelas nos tiraram o «Suave» ao «Português Suave»? Isso sim, é um problema. O resto (fumar vs. não-fumar) já se sabe como se resolve.
A QUESTÃO «PORTUGUÊS SUAVE».
Um esclarecimento. Quando abordei no Aviz a questão «Português Suave» não se tratava de defender o tabaco contra os não-fumadores, ou de iniciar uma discussão sobre os direitos dos não-fumadores. Era muito mais simples: por que é que os merdosos de Bruxelas tinham implicado com o «Suave» de «Português Suave»? A conversa alastrou e transformou-se, aos poucos, num debate sobre os malefícios do tabaco. Nunca alinhei nessa trapalhada — o cigarro faz mal. Ponto. Penso, cerca de duzentas vezes por ano, em deixar de fumar. A única coisa que me impede é o prazer que isso me dá. É um prazer imbecil, inútil. É provável que outros vícios, como o álcool, tenham um «lado bom» — questões cardiovasculares pelo meio —, um lado não totalmente prejudicial.
Simplesmente, no lugar onde trabalho, circulou um abaixo-assinado (não na minha redacção) sobre o assunto. Os termos são tão agressivos, tão seguros do mal que lhes fazem, tão segregadores e maldosos, que temo bastante que um mundo dominado por esta gente se pareça vagamente com um purgatório.
Para encerrar a questão: sim, os não-fumadores têm razão. E têm razão os puros de sangue e os puros de espírito, e os desportistas, os que fazem jogging, os que não comem fritos (não, isto não é piada ao Bruno), os que se levantam cedo, os que fazem ginástica, os que são certinhos, os que tomam vacina contra a gripe, os que só lêem boa literatura, os que vigiam o colesterol, os que são perfeitos, os que não bebem cerveja, tudo isso. Eles têm razão. Mas uma coisa me inquieta: por que é que os merdosos de Bruxelas nos tiraram o «Suave» ao «Português Suave»? Isso sim, é um problema. O resto (fumar vs. não-fumar) já se sabe como se resolve.
Emigração musculada e emigração intelectual
Fiquei de boca aberta quando o Carlos Malato, do programa Portugal no Coração (24-out; é o que vemos ao jantar por cá...), ao entrevistar um jovem jurista com experiência no Parlamento Europeu (a propósito de experiências no estrangeiro), disse esta pérola (mais ou menos assim): "contactas não só com intelectuais, mas também com os portugueses do músculo..."
Ao que respondeu o rapazinho: "não é tanto fazer a diferença entre o português musculado e intelectual... ambos são embaixadores de Portugal e da nossa cultura..." (procurando ser simpático)
Só esta do "português do músculo" é suficiente para me deixar sem palavras, mesmo que depois venha por aí um ribeiro de simpatias...
Fiquei de boca aberta quando o Carlos Malato, do programa Portugal no Coração (24-out; é o que vemos ao jantar por cá...), ao entrevistar um jovem jurista com experiência no Parlamento Europeu (a propósito de experiências no estrangeiro), disse esta pérola (mais ou menos assim): "contactas não só com intelectuais, mas também com os portugueses do músculo..."
Ao que respondeu o rapazinho: "não é tanto fazer a diferença entre o português musculado e intelectual... ambos são embaixadores de Portugal e da nossa cultura..." (procurando ser simpático)
Só esta do "português do músculo" é suficiente para me deixar sem palavras, mesmo que depois venha por aí um ribeiro de simpatias...
Livros...
"Imagino-me, em certos momentos, uma princesinha, sobre um terraço, sentada num tapete. Em volta... tanta coisa! Bichos, flores, bonecos... brinquedos. Às vezes a princesinha aborrece-se de brincar e fica, horas e horas, esquecida, a cismar num outro mundo onde houvesse brinquedos maiores, mais belos e mais sólidos."
Florbela Espanca, Diário, 16 de Março de 1930
"Imagino-me, em certos momentos, uma princesinha, sobre um terraço, sentada num tapete. Em volta... tanta coisa! Bichos, flores, bonecos... brinquedos. Às vezes a princesinha aborrece-se de brincar e fica, horas e horas, esquecida, a cismar num outro mundo onde houvesse brinquedos maiores, mais belos e mais sólidos."
Florbela Espanca, Diário, 16 de Março de 1930
Sexta-feira, Outubro 24, 2003
Poesia...
Lágrimas às vezes,
como de criança,
quando lá da terra
vem uma lembrança.
Mas tudo se esquece
nessa triste viela
onde o amor custa
uma bagatela.
Sebastião da Gama, Parede, 13/14-x-1949
Lágrimas às vezes,
como de criança,
quando lá da terra
vem uma lembrança.
Mas tudo se esquece
nessa triste viela
onde o amor custa
uma bagatela.
Sebastião da Gama, Parede, 13/14-x-1949
Poesia...
As Flores
Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
De uma manhã futura.
No Tempo Dividido e Mar Novo, Sophia de Mello Breyner Andresen
As Flores
Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
De uma manhã futura.
No Tempo Dividido e Mar Novo, Sophia de Mello Breyner Andresen
Música francesa...
Jacques Dutronc, hoje uma canção sua no Abrupto que vale a pena ler, já que não se consegue ouvir. A primeira canção que dele ouvi foi "Et moi, et moi, et moi", e gostei logo do seu estilo muito particular.
Não resisto a dizer que me lembra excelentes tempos de adolescência quando, por volta dos meus dezoito anos, estive a passar uns meses em Paris (Verão) e a viver em sua casa, no n.º13 da Rue Thibaud, no 14 (se a memória não me falha).
Jacques Dutronc é, além de bom cantor, actor e é casado com outra grande cantora francesa (Françoise Hardy).
Foram tempos de sonho, em que eu fazia alguma inveja aos meus amigos que conhecia em Paris, por estar a morar na casa deles e, de vez em quando, os levar até lá para beber um refresco e espreitar um mundo fantástico! Lembro-me que era um homem supersticioso, morava no 13 e tudo em casa era negro, ou quase tudo, assim como a sua roupa, óculos, enfim, praticamente tudo.
Ah saudade! Que saudade enorme dessa cidade maravilhosa, essa cidade encantada pela qual me apaixonei logo aos dezasseis anos.
E também tenho pena de se ouvir pouca música francesa em Portugal, aliás, como de tantas outras, inclusive a Portuguesa.
Jacques Dutronc, hoje uma canção sua no Abrupto que vale a pena ler, já que não se consegue ouvir. A primeira canção que dele ouvi foi "Et moi, et moi, et moi", e gostei logo do seu estilo muito particular.
Não resisto a dizer que me lembra excelentes tempos de adolescência quando, por volta dos meus dezoito anos, estive a passar uns meses em Paris (Verão) e a viver em sua casa, no n.º13 da Rue Thibaud, no 14 (se a memória não me falha).
Jacques Dutronc é, além de bom cantor, actor e é casado com outra grande cantora francesa (Françoise Hardy).
Foram tempos de sonho, em que eu fazia alguma inveja aos meus amigos que conhecia em Paris, por estar a morar na casa deles e, de vez em quando, os levar até lá para beber um refresco e espreitar um mundo fantástico! Lembro-me que era um homem supersticioso, morava no 13 e tudo em casa era negro, ou quase tudo, assim como a sua roupa, óculos, enfim, praticamente tudo.
Ah saudade! Que saudade enorme dessa cidade maravilhosa, essa cidade encantada pela qual me apaixonei logo aos dezasseis anos.
E também tenho pena de se ouvir pouca música francesa em Portugal, aliás, como de tantas outras, inclusive a Portuguesa.
Também aqui...
Também aqui há muitos órfãos, crianças perdidas no mundo, sem saber onde estão os seus pais. Alguns dizem que eles foram para Kupang. E eu penso em voz alta, "então porque é que não voltam?, ainda mais tendo aqui os filhos". E penso no que pensarão eles. Alguns ainda não chegaram ao momento, são muito novos. Mas os mais velhos, esses, esses já devem saber bem que a sua estória é triste. Até porque a maior parte perdeu-os mesmo, no período pós-referendo em Setembro de 99.
Resta-nos um nó que não deixa a saliva descer na garganta e a urgência de ajudar!
Também aqui há muitos órfãos, crianças perdidas no mundo, sem saber onde estão os seus pais. Alguns dizem que eles foram para Kupang. E eu penso em voz alta, "então porque é que não voltam?, ainda mais tendo aqui os filhos". E penso no que pensarão eles. Alguns ainda não chegaram ao momento, são muito novos. Mas os mais velhos, esses, esses já devem saber bem que a sua estória é triste. Até porque a maior parte perdeu-os mesmo, no período pós-referendo em Setembro de 99.
Resta-nos um nó que não deixa a saliva descer na garganta e a urgência de ajudar!
Livros...
" Ngunga é um órfão de treze anos. Os pais foram surpreendidos pelo inimigo um dia, nas lavras. Os colonialistas abriram fogo. O pai, que era já velho, foi morto imediatamente. A mãe tentou fugir, mas uma bala atravessou-lhe o peito. Só ficou Mussango, que foi apanhada e levada para o posto. Passaram quatro anos, depois desse dia triste. Mas Ngunga ainda se lembra dos pais e da pequena Mussango, sua irmã, com quem brincava todo o tempo."
Ngunga, Pepetela
" Ngunga é um órfão de treze anos. Os pais foram surpreendidos pelo inimigo um dia, nas lavras. Os colonialistas abriram fogo. O pai, que era já velho, foi morto imediatamente. A mãe tentou fugir, mas uma bala atravessou-lhe o peito. Só ficou Mussango, que foi apanhada e levada para o posto. Passaram quatro anos, depois desse dia triste. Mas Ngunga ainda se lembra dos pais e da pequena Mussango, sua irmã, com quem brincava todo o tempo."
Ngunga, Pepetela
Fim de semana
Está aí o fim de semana, que maravilha, apesar de haver trabalho para fazer aos fins de semana.
Ao Sábado e ao Domingo há um tempo diferente para olhar o calor, o fim de tarde, o azul da baía, a ilha em frente, os beiros, os miúdos a brincar na água. Depois, uns minutos antes de o sol mergulhar profundamente no mar, há ouro cintilando nas águas, no ar, pousando sobre as coisas dando-lhes um aspecto mágico.
E depois há mais tempo para os livros. Bom fim de semana. Aproveitem a companhia uns dos outros!
Está aí o fim de semana, que maravilha, apesar de haver trabalho para fazer aos fins de semana.
Ao Sábado e ao Domingo há um tempo diferente para olhar o calor, o fim de tarde, o azul da baía, a ilha em frente, os beiros, os miúdos a brincar na água. Depois, uns minutos antes de o sol mergulhar profundamente no mar, há ouro cintilando nas águas, no ar, pousando sobre as coisas dando-lhes um aspecto mágico.
E depois há mais tempo para os livros. Bom fim de semana. Aproveitem a companhia uns dos outros!
Quinta-feira, Outubro 23, 2003
Até amanhã. Fico-me por aqui com um abraço forte à minha família, tão longe e tão perto. Afinal até estou a ter mais net do que sonhava!
Uma voz na pedra
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
Eduardo Prado Coelho
Admiro Eduardo Prado Coelho. Normalmente admiro a excelente forma como escreve, a sua ironia saudável, a sua comicidade. Porém, de vez em quando, acho as suas ideias um pouco estranhas, tenho de confessar.
Esta do Sr. e do Sr. Juíz é demais. Por mim o juíz está nas suas funções (excelentíssimo senhor juíz) e o cidadão é o cidadão (quando muito, pela tal norma de que EPC fala, Sr. Professor-- que é mais do que uma profissão, é uma forma de vida--, Sr. Dr. ou Sr. Deputado com funções suspensas. Mas tudo isto me parece um exagero descabido e fora de prazo. Será que ajuda mesmo a esclarecer alguma coisa?
Acho que Paulo Pedroso é inocente. Quero acreditar que sim, assim como queria acreditar para o Carlos Cruz, porque são pessoas que têm sido referenciais para a população, para a generalidade dos portugueses. Mesmo quando se é de outra "zona" política, quero crer. Como sei que não podem ser todos inocentes... pelo menos queria acreditar que estes, por serem figuras importantes (num certo sentido, que não precisarei explicar) da nossa sociedade, o são.
Mas que circo mediático e despudorado vem a ser este? Independentemente das inocências e de direitos roubados, será esta (pressões, ruídos, interferências em cima do joelho) a melhor forma de apurar a verdade?
Deve ser lembrado que há muitos que são julgados de forma injusta durante todo esse ano; que os pobres têm pouco acesso à justiça; que são muitos os processos a prescrever; etc., etc., mas que nunca vi tanta agitação para se alterarem leis em cima de julgamentos (nem lá chegámos) e reparar aquilo que há tanto tempo está criado, é repetido (violação do segredo de justiça, excesso de poder dos juízes, do Ministério Público). As acções contra o erro, a má fé, a violação de direitos, a violação da lei, tudo isso deve ser alvo da intervenção silenciosa e avisada das autoridades competentes. Não na televisão, não nos jornais, em jogos mais ou menos esquisitos, uns para julgar outros para ilibar...
Abraço e "fé", que é o que precisamos nesta altura do campeonato.
Admiro Eduardo Prado Coelho. Normalmente admiro a excelente forma como escreve, a sua ironia saudável, a sua comicidade. Porém, de vez em quando, acho as suas ideias um pouco estranhas, tenho de confessar.
Esta do Sr. e do Sr. Juíz é demais. Por mim o juíz está nas suas funções (excelentíssimo senhor juíz) e o cidadão é o cidadão (quando muito, pela tal norma de que EPC fala, Sr. Professor-- que é mais do que uma profissão, é uma forma de vida--, Sr. Dr. ou Sr. Deputado com funções suspensas. Mas tudo isto me parece um exagero descabido e fora de prazo. Será que ajuda mesmo a esclarecer alguma coisa?
Acho que Paulo Pedroso é inocente. Quero acreditar que sim, assim como queria acreditar para o Carlos Cruz, porque são pessoas que têm sido referenciais para a população, para a generalidade dos portugueses. Mesmo quando se é de outra "zona" política, quero crer. Como sei que não podem ser todos inocentes... pelo menos queria acreditar que estes, por serem figuras importantes (num certo sentido, que não precisarei explicar) da nossa sociedade, o são.
Mas que circo mediático e despudorado vem a ser este? Independentemente das inocências e de direitos roubados, será esta (pressões, ruídos, interferências em cima do joelho) a melhor forma de apurar a verdade?
Deve ser lembrado que há muitos que são julgados de forma injusta durante todo esse ano; que os pobres têm pouco acesso à justiça; que são muitos os processos a prescrever; etc., etc., mas que nunca vi tanta agitação para se alterarem leis em cima de julgamentos (nem lá chegámos) e reparar aquilo que há tanto tempo está criado, é repetido (violação do segredo de justiça, excesso de poder dos juízes, do Ministério Público). As acções contra o erro, a má fé, a violação de direitos, a violação da lei, tudo isso deve ser alvo da intervenção silenciosa e avisada das autoridades competentes. Não na televisão, não nos jornais, em jogos mais ou menos esquisitos, uns para julgar outros para ilibar...
Abraço e "fé", que é o que precisamos nesta altura do campeonato.
Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Livros...
Um mar azul
pintou de branco
o voo das gaivotas.
Com as Flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Um mar azul
pintou de branco
o voo das gaivotas.
Com as Flores do Salgueiro (Homenagem a Bashô), Albano Martins
Do Abrupto, partilho:
"PERGUNTAS QUE É PRECISO COMEÇAR A FAZER
Se estivesse em vigor a Constituição europeia, poderia o Primeiro Ministro português ter organizado e participado na Cimeira dos Açores durante a crise do Iraque?
Se estivesse em vigor a Constituição europeia, poderia Portugal ter decidido enviar tropas da GNR para o Iraque?
Não importa aqui saber se as pessoas estão ou não de acordo com estas iniciativas, mas sim saber se existe qualquer autonomia da nossa política externa numa crise deste tipo. "
"PERGUNTAS QUE É PRECISO COMEÇAR A FAZER
Se estivesse em vigor a Constituição europeia, poderia o Primeiro Ministro português ter organizado e participado na Cimeira dos Açores durante a crise do Iraque?
Se estivesse em vigor a Constituição europeia, poderia Portugal ter decidido enviar tropas da GNR para o Iraque?
Não importa aqui saber se as pessoas estão ou não de acordo com estas iniciativas, mas sim saber se existe qualquer autonomia da nossa política externa numa crise deste tipo. "
RoadShow (para pedir emprestada ao Aviz a expressão)
Isto já é demais! Com tanta barbaridade no caso "Casa Pia" nem vai haver conclusão nenhuma, a não ser uma só: em Portugal não se pode fazer justiça. Ou ela é sempre obscura quando se trata de gente que mexe...
Por mais que venham dizer que a justiça vai funcionar, ninguém mais acreditará! Porquê? Porque já tanta gentinha com responsabilidades "botou faladura" para destruir a imagem dos tribunais, das polícias, do Procurador, dos políticos, dos juízes... que ninguém saberá nunca o que foi verdade, o que foi mais ou menos verdade, o que foi mentira.
Saberá? Acreditará? como poderemos ficar descansados com tantos jogos de bastidores...?
Isto já é demais! Com tanta barbaridade no caso "Casa Pia" nem vai haver conclusão nenhuma, a não ser uma só: em Portugal não se pode fazer justiça. Ou ela é sempre obscura quando se trata de gente que mexe...
Por mais que venham dizer que a justiça vai funcionar, ninguém mais acreditará! Porquê? Porque já tanta gentinha com responsabilidades "botou faladura" para destruir a imagem dos tribunais, das polícias, do Procurador, dos políticos, dos juízes... que ninguém saberá nunca o que foi verdade, o que foi mais ou menos verdade, o que foi mentira.
Saberá? Acreditará? como poderemos ficar descansados com tantos jogos de bastidores...?
Livros...
"Esta loja é um museu: ao visitá-la, o senhor Palomar sente, tal como no Louvre, que por detrás de cada um dos objectos expostos está a presença da civilização que lhe deu forma e que dele toma forma."
Palomar, Italo Calvino
"Esta loja é um museu: ao visitá-la, o senhor Palomar sente, tal como no Louvre, que por detrás de cada um dos objectos expostos está a presença da civilização que lhe deu forma e que dele toma forma."
Palomar, Italo Calvino
Terça-feira, Outubro 21, 2003
do Fumaças:
"Actualmente os judeus dirigem o mundo por procuração. Conseguem que os outros se batam e morram por eles."
Mahathir Mohamad, primeiro ministro da Malásia, na abertura da cimeira da OCI (Organização da Conferência Islâmica)
Será este o que anda hoje pelas ruas de Díli com um aparato desmedido??? A Malásia ofereceu uns camiões às FDTL e foi uma festa.
"Actualmente os judeus dirigem o mundo por procuração. Conseguem que os outros se batam e morram por eles."
Mahathir Mohamad, primeiro ministro da Malásia, na abertura da cimeira da OCI (Organização da Conferência Islâmica)
Será este o que anda hoje pelas ruas de Díli com um aparato desmedido??? A Malásia ofereceu uns camiões às FDTL e foi uma festa.
Livros...
" O espírito de Palomar oscila entre dois impulsos contrastantes: aquele que tende para um conhecimento completo, exaustivo, e que apenas poderia ser satisfeito experimentando todas as qualidades de queijos; e o que tende para uma escolha absoluta, para a indentificação do queijo que é o seu, um queijo que certamente existe, mesmo que ele não o saiba reconhecer (não saiba reconhecer-se nele)."
Palomar, Italo Calvino
" O espírito de Palomar oscila entre dois impulsos contrastantes: aquele que tende para um conhecimento completo, exaustivo, e que apenas poderia ser satisfeito experimentando todas as qualidades de queijos; e o que tende para uma escolha absoluta, para a indentificação do queijo que é o seu, um queijo que certamente existe, mesmo que ele não o saiba reconhecer (não saiba reconhecer-se nele)."
Palomar, Italo Calvino
Livros...
"Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas nos abrem no fundo de nós próprios a porta das habitações onde não teríamos conseguido penetrar, o papel dela na nossa vida será salutar. É perigoso ao invés quando, em vez de nos despertar para a vida pessoal do espírito, a leitura tende a substituí-la, quando a verdade deixa de nos surgir como um ideal que só podemos realizar através do progresso íntimo do nosso pensamento e do esforço do nosso coração, mas como uma coisa material, depositada entre as folhas dos livros como um mel preparado por outros e que só temos de nos dar ao trabalho de alcançar nas prateleiras das estantes e de saborear em seguida passivamente num perfeito repouso de corpo e de espírito."
O Prazer da Leitura, Marcel Proust
"Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas nos abrem no fundo de nós próprios a porta das habitações onde não teríamos conseguido penetrar, o papel dela na nossa vida será salutar. É perigoso ao invés quando, em vez de nos despertar para a vida pessoal do espírito, a leitura tende a substituí-la, quando a verdade deixa de nos surgir como um ideal que só podemos realizar através do progresso íntimo do nosso pensamento e do esforço do nosso coração, mas como uma coisa material, depositada entre as folhas dos livros como um mel preparado por outros e que só temos de nos dar ao trabalho de alcançar nas prateleiras das estantes e de saborear em seguida passivamente num perfeito repouso de corpo e de espírito."
O Prazer da Leitura, Marcel Proust
Livros...
"... só demasiado tarde logrou libertar-se das impaciências juvenis e perceber que a única salvação reside no aplicar-se às coisas que existem."
Palomar, Italo Calvino
"... só demasiado tarde logrou libertar-se das impaciências juvenis e perceber que a única salvação reside no aplicar-se às coisas que existem."
Palomar, Italo Calvino
Domingo, Outubro 19, 2003
Livros...
"Por isso, assim que vê aparecer à distância a nuvem brônzeo-rósea de um torso nu feminino, apressa-se a colocar a cabeça de molde a que a trajectória do seu olhar permaneça suspensa no vazio, como garante do seu respeito cívico pela fronteira invisível que circunda as pessoas."
Palomar, Italo Calvino
"Por isso, assim que vê aparecer à distância a nuvem brônzeo-rósea de um torso nu feminino, apressa-se a colocar a cabeça de molde a que a trajectória do seu olhar permaneça suspensa no vazio, como garante do seu respeito cívico pela fronteira invisível que circunda as pessoas."
Palomar, Italo Calvino
Prenda Minha...
De uma terra distante envio a todos os que me visitam através de cabos, antenas e satélites, nesse espaço virtual, umas prendas humildes. Algumas imagens de um destino longínquo, diferente, mas próximo nos afectos, nas palavras, nos gestos, no sentir. Há muito Portugal longe dessa "Jangada de Pedra" que parece não querer navegar, pelo menos parte dela parece estar presa ao ancoradouro. Portugal no sentido de Universal, palavras que deviam ser sinónimo.
Um abraço a todos os que acreditam nessa pátria, que não é nossa, que é do Mundo. Essa pátria que devia ser a língua, um receptáculo de culturas, um emissor de esperança, um elo de paz. Talvez um sonho por cumprir.
partilho o comentário da Leitora a este post (poema de Fernando Pessoa):
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
De uma terra distante envio a todos os que me visitam através de cabos, antenas e satélites, nesse espaço virtual, umas prendas humildes. Algumas imagens de um destino longínquo, diferente, mas próximo nos afectos, nas palavras, nos gestos, no sentir. Há muito Portugal longe dessa "Jangada de Pedra" que parece não querer navegar, pelo menos parte dela parece estar presa ao ancoradouro. Portugal no sentido de Universal, palavras que deviam ser sinónimo.
Um abraço a todos os que acreditam nessa pátria, que não é nossa, que é do Mundo. Essa pátria que devia ser a língua, um receptáculo de culturas, um emissor de esperança, um elo de paz. Talvez um sonho por cumprir.
partilho o comentário da Leitora a este post (poema de Fernando Pessoa):
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
Este Sol... com um abraço forte, um abraço de mar imenso.
partilho o comentário da Leitora a este post (poema de Alberto Caeiro):
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro
partilho o comentário da Leitora a este post (poema de Alberto Caeiro):
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro
Sábado, Outubro 18, 2003
Barlaque
Bem, hoje é dia de assistir a um Barlaque. A cerimónia do dote. O jovem e os seus familiares têm de oferecer ao pais da rapariga um dote para a poder levar, tomar em casamento e levá-la para sua casa, uma nova casa. Mesmo que o marido venha a falecer cedo, ela continua a pertencer à sua família, e não à biológica. Interessante... talvez volte a este assunto, e aos problemas que tudo isto encerra, do nosso ponto de vista, claro.
Bem, hoje é dia de assistir a um Barlaque. A cerimónia do dote. O jovem e os seus familiares têm de oferecer ao pais da rapariga um dote para a poder levar, tomar em casamento e levá-la para sua casa, uma nova casa. Mesmo que o marido venha a falecer cedo, ela continua a pertencer à sua família, e não à biológica. Interessante... talvez volte a este assunto, e aos problemas que tudo isto encerra, do nosso ponto de vista, claro.
do Abrupto, vale a pena ler:
CONVERSAS ISLÂMICAS
Conversa com A. , jovem muçulmana turca, que usa o véu cobrindo a cabeça, o que não é muito comum nas jovens da sua idade e condição social. “Usas o véu para marcar uma posição?”. “Não, uso-o desde os oito anos e, por causa de o usar, não posso entrar para a universidade, nem ser funcionária pública”. A. foi estudar para a London School of Economics, e trabalha nas relações internacionais do Partido para a Justiça e Desenvolvimento, o partido islâmico moderado actualmente no poder.
Este é um dilema da democracia na Turquia: as origens da laicidade do estado (de que nós gostamos), tem como penhor o exército turco e os seus poderes “especiais” (de que não gostamos), que se manifestam limitando o poder do partido que ganha as eleições para implementar políticas como seja a liberdade de usar o véu nas instituições públicas.
“Mas”, disse eu, “depois não haveria tendência para pressionar quem não o usasse?”. A resposta de A. sobre a tolerância não me convenceu, porque em muitas cidades árabes que eram liberais, Argel, Casablanca, Bagdad, ano após ano, nos últimos dez anos, as mulheres tinham (e têm) cada vez mais dificuldade em sair à rua vestidas à ocidental, os lenços eram quase obrigatórios, as saias eram todos os dias mais longas, as roupas tapavam mais o corpo.
Não é simples.
CONVERSAS ISLÂMICAS
Conversa com A. , jovem muçulmana turca, que usa o véu cobrindo a cabeça, o que não é muito comum nas jovens da sua idade e condição social. “Usas o véu para marcar uma posição?”. “Não, uso-o desde os oito anos e, por causa de o usar, não posso entrar para a universidade, nem ser funcionária pública”. A. foi estudar para a London School of Economics, e trabalha nas relações internacionais do Partido para a Justiça e Desenvolvimento, o partido islâmico moderado actualmente no poder.
Este é um dilema da democracia na Turquia: as origens da laicidade do estado (de que nós gostamos), tem como penhor o exército turco e os seus poderes “especiais” (de que não gostamos), que se manifestam limitando o poder do partido que ganha as eleições para implementar políticas como seja a liberdade de usar o véu nas instituições públicas.
“Mas”, disse eu, “depois não haveria tendência para pressionar quem não o usasse?”. A resposta de A. sobre a tolerância não me convenceu, porque em muitas cidades árabes que eram liberais, Argel, Casablanca, Bagdad, ano após ano, nos últimos dez anos, as mulheres tinham (e têm) cada vez mais dificuldade em sair à rua vestidas à ocidental, os lenços eram quase obrigatórios, as saias eram todos os dias mais longas, as roupas tapavam mais o corpo.
Não é simples.
Sobre as propinas e comportamentos de académicas...
Mais uma vez, como não tenho tempo... falo com a voz de outros: bons textos da Periférica:
PROPINAS
Pendurada no portão principal do campus está uma faixa onde se lê: «Educação: um investimento.» Concordo. Mas já não concordo com o que se lia numa faixa de lutas passadas, pendurada há coisa de um ano em frente ao edifício onde trabalho: «O ensino não é uma despesa, é um investimento.» O problema é que o ensino é um investimento e uma despesa. Uma grande despesa. E sendo assim, convém que o investimento não seja a fundo perdido...
Bem vistas as coisas, se é necessário que o Estado assuma claramente as suas responsabilidades — o que, convenhamos, não está a acontecer —, é também urgente que os alunos assumam as responsabilidades próprias — o que, igualmente, não costuma acontecer. Não podemos ter, simultaneamente, uma tutela cada vez mais demissionária (veja-se o Orçamento de Estado para 2004) e uma "clientela" eternamente irresponsável.
Tudo isto para deixar claro que, ideologicamente, sou a favor da propina zero para os alunos que retribuem o investimento que o Estado faz neles, isto é, aqueles que aproveitam bem a oportunidade que lhes é dada. Começando a reprovar, começariam a pagar. E forte. FG 16/10/2003
A DITADURA DO CADEADO II
Depois do fecho de terça-feira e da "aberta" de ontem, o campus da UTAD voltou hoje a ser fechado a cadeado. Como geralmente acontece (e muito mais nestas situações), não consegui ficar calado, e os senhores da RTP fizeram o favor de registar o meu protesto.
Enquanto não me decidia a fazer meia-volta e sair dali, fui trocando impressões com os alunos. Um deles explicou-me as "razões" do recurso ao aloquete: que se não fosse assim, os estudantes não aderiam à luta; que todos protestam nos corredores, mas poucos têm coragem de tomar posição; que se os portões estivessem abertos, a maioria ia às aulas e os que não fossem teriam falta. Tudo bons argumentos, está bom de ver...
Como se costuma(va) dizer, as Academias são a vanguarda da Sociedade. Razão pela qual me espanta não terem até agora os Sindicatos adoptado as técnicas dos estudantes: em vez de os grevistas da Carris e da STCP se recusarem (os que se recusarem) a entrar nos respectivos autocarros, um piquete mínimo fechará a cadeado os parques de viaturas, garantindo assim os inegáveis cem por cento de participação. No caso da CP, sendo manifestamente impossível aloquetar algo tão monstruoso como uma composição de carruagens, a solução passaria por fechar a cadeado, não os comboios, mas os colegas renitentes. FG 16/10/2003
Mais uma vez, como não tenho tempo... falo com a voz de outros: bons textos da Periférica:
PROPINAS
Pendurada no portão principal do campus está uma faixa onde se lê: «Educação: um investimento.» Concordo. Mas já não concordo com o que se lia numa faixa de lutas passadas, pendurada há coisa de um ano em frente ao edifício onde trabalho: «O ensino não é uma despesa, é um investimento.» O problema é que o ensino é um investimento e uma despesa. Uma grande despesa. E sendo assim, convém que o investimento não seja a fundo perdido...
Bem vistas as coisas, se é necessário que o Estado assuma claramente as suas responsabilidades — o que, convenhamos, não está a acontecer —, é também urgente que os alunos assumam as responsabilidades próprias — o que, igualmente, não costuma acontecer. Não podemos ter, simultaneamente, uma tutela cada vez mais demissionária (veja-se o Orçamento de Estado para 2004) e uma "clientela" eternamente irresponsável.
Tudo isto para deixar claro que, ideologicamente, sou a favor da propina zero para os alunos que retribuem o investimento que o Estado faz neles, isto é, aqueles que aproveitam bem a oportunidade que lhes é dada. Começando a reprovar, começariam a pagar. E forte. FG 16/10/2003
A DITADURA DO CADEADO II
Depois do fecho de terça-feira e da "aberta" de ontem, o campus da UTAD voltou hoje a ser fechado a cadeado. Como geralmente acontece (e muito mais nestas situações), não consegui ficar calado, e os senhores da RTP fizeram o favor de registar o meu protesto.
Enquanto não me decidia a fazer meia-volta e sair dali, fui trocando impressões com os alunos. Um deles explicou-me as "razões" do recurso ao aloquete: que se não fosse assim, os estudantes não aderiam à luta; que todos protestam nos corredores, mas poucos têm coragem de tomar posição; que se os portões estivessem abertos, a maioria ia às aulas e os que não fossem teriam falta. Tudo bons argumentos, está bom de ver...
Como se costuma(va) dizer, as Academias são a vanguarda da Sociedade. Razão pela qual me espanta não terem até agora os Sindicatos adoptado as técnicas dos estudantes: em vez de os grevistas da Carris e da STCP se recusarem (os que se recusarem) a entrar nos respectivos autocarros, um piquete mínimo fechará a cadeado os parques de viaturas, garantindo assim os inegáveis cem por cento de participação. No caso da CP, sendo manifestamente impossível aloquetar algo tão monstruoso como uma composição de carruagens, a solução passaria por fechar a cadeado, não os comboios, mas os colegas renitentes. FG 16/10/2003
Sexta-feira, Outubro 17, 2003
Ouve-se música lá fora, na rua...
Há uma festa popular aí num desses bairros da cidade. Em tudo parecida com as festas populares em Portugal, nesse Portugal das vilas e aldeias, ou dos bairros citadinos, dos bairros antigos. É bom cheirar a carvão, a febras a assar, ouvir essas músicas todas e imaginar o resto... Vinho tinto, caldo verde, o reencontro de amigos no verão, a família em almoços em casa dos avós ou dos pais. É bom estar aqui e sentir, mesmo que ao de leve, mesmo que de forma distraída, que tudo aquilo que está longe, também está aqui. Com todas as diferenças, com todo o custo. Com o calor que é bem maior e mais húmido.
Mas este é um oriente diferente. Quem não sabe disso? Quem não vê?
Bom fim de semana!
Há uma festa popular aí num desses bairros da cidade. Em tudo parecida com as festas populares em Portugal, nesse Portugal das vilas e aldeias, ou dos bairros citadinos, dos bairros antigos. É bom cheirar a carvão, a febras a assar, ouvir essas músicas todas e imaginar o resto... Vinho tinto, caldo verde, o reencontro de amigos no verão, a família em almoços em casa dos avós ou dos pais. É bom estar aqui e sentir, mesmo que ao de leve, mesmo que de forma distraída, que tudo aquilo que está longe, também está aqui. Com todas as diferenças, com todo o custo. Com o calor que é bem maior e mais húmido.
Mas este é um oriente diferente. Quem não sabe disso? Quem não vê?
Bom fim de semana!
Hoje, como tantas vezes
Hoje, como tantas outras vezes, um rapazote aí de seus 20 anos veio falar comigo. O seu português é já admirável, surpreendente. Disse-me que gostava da língua, que era a oficial e, portanto, todos tinham que cumprir a constituição do seu país! "É a lei máxima! Quanto mais cedo melhor, para não atrasar ainda mais o desenvolvimento..."
Disse-lhe que há colegas que não pensam assim, que não querem estudar, não querem aprender a língua...
-- Quase todos querem, o problema é que não têm oportunidade, disse com ar um pouco triste. E depois, bem, depois foi uma conversa muito interessante sobre as dificuldades que ele e a família sentem, sem pedir nada, sem lamentos, sem choros, sem lágrimas, sem notar que me destroçava por dentro. Pai já morreu, mãe doente, irmãos a estudar, e nenhum rendimento. E com um sorriso nos lábios:
-- Problema é como é que eu vou pagar as propinas, a comida, o transporte... É difícil, mas solução vai aparecer... Não pode desiste.
E é assim uma dor diária, num sítio onde os sorrisos, cheios de tristeza lá no fundo -- mesmo que eles não saibam--, são mágicos e trazem também muita alegria, muita força, muita esperança.
Há quem não acredite nestes sorrisos...
Há quem não entenda o que está por detrás deles.
Hoje, como tantas outras vezes, um rapazote aí de seus 20 anos veio falar comigo. O seu português é já admirável, surpreendente. Disse-me que gostava da língua, que era a oficial e, portanto, todos tinham que cumprir a constituição do seu país! "É a lei máxima! Quanto mais cedo melhor, para não atrasar ainda mais o desenvolvimento..."
Disse-lhe que há colegas que não pensam assim, que não querem estudar, não querem aprender a língua...
-- Quase todos querem, o problema é que não têm oportunidade, disse com ar um pouco triste. E depois, bem, depois foi uma conversa muito interessante sobre as dificuldades que ele e a família sentem, sem pedir nada, sem lamentos, sem choros, sem lágrimas, sem notar que me destroçava por dentro. Pai já morreu, mãe doente, irmãos a estudar, e nenhum rendimento. E com um sorriso nos lábios:
-- Problema é como é que eu vou pagar as propinas, a comida, o transporte... É difícil, mas solução vai aparecer... Não pode desiste.
E é assim uma dor diária, num sítio onde os sorrisos, cheios de tristeza lá no fundo -- mesmo que eles não saibam--, são mágicos e trazem também muita alegria, muita força, muita esperança.
Há quem não acredite nestes sorrisos...
Há quem não entenda o que está por detrás deles.
Livros...
Aqui vos deixo algumas leituras partilhadas, sobretudo de frases que me dizem muito, às vezes tudo.
Espero que gostem e que possa ser um estímulo para "trocarmos" livros.
Aqui vos deixo algumas leituras partilhadas, sobretudo de frases que me dizem muito, às vezes tudo.
Espero que gostem e que possa ser um estímulo para "trocarmos" livros.
Livros...
"Não fora esta sua impaciência por alcançar um resultado completo e definitivo através da sua operação visual, o observar das ondas seria para ele um exercício muito repousante e poderia salvá-lo da neurose, do enfarte e da úlcera gástrica. E talvez pudesse ser essa a chave para dominar a complexidade do mundo, reduzindo-a ao seu mecanismo elementar."
Palomar, Italo Calvino
"Não fora esta sua impaciência por alcançar um resultado completo e definitivo através da sua operação visual, o observar das ondas seria para ele um exercício muito repousante e poderia salvá-lo da neurose, do enfarte e da úlcera gástrica. E talvez pudesse ser essa a chave para dominar a complexidade do mundo, reduzindo-a ao seu mecanismo elementar."
Palomar, Italo Calvino
Livros...
"As ovelhas não são donas de si mesmas, não são donas das suas vidas. Existem para serem utilizadas até ao último pedaço, a sua carne para ser comida, os ossos para serem esmagados e dados a comer às aves de criação. Nada escapa, talvez apenas a vesícula biliar, que ninguém come. Descartes devia ter pensado nisso. A alma, suspensa na escuridão, bílis amarga, escondendo-se."
Desgraça, J. M. Coetzee
"As ovelhas não são donas de si mesmas, não são donas das suas vidas. Existem para serem utilizadas até ao último pedaço, a sua carne para ser comida, os ossos para serem esmagados e dados a comer às aves de criação. Nada escapa, talvez apenas a vesícula biliar, que ninguém come. Descartes devia ter pensado nisso. A alma, suspensa na escuridão, bílis amarga, escondendo-se."
Desgraça, J. M. Coetzee
Livros...
" Sentimos perfeitamente que a nossa sensatez começa onde acaba a do autor, e gostaríamos de que ele nos fornecesse respostas, quando tudo o que ele pode fazer é dar-nos desejos."
O Prazer da Leitura, Marcel Proust
" Sentimos perfeitamente que a nossa sensatez começa onde acaba a do autor, e gostaríamos de que ele nos fornecesse respostas, quando tudo o que ele pode fazer é dar-nos desejos."
O Prazer da Leitura, Marcel Proust
Queria deixar aqui um abraço forte a todos os que me têm visitado a partir destes países: Austrália, Alemanha, Suiça, Bélgica, Itália, Angola, Indonésia, França, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Macau-China, Brasil.
E a todos os outros, claro. Todos são bem vindos se vierem por bem. Abraço.
E a todos os outros, claro. Todos são bem vindos se vierem por bem. Abraço.
Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Assobios e 'E-mails' Contra as Propinas
Bem, isto vai de mal a pior! É uma tristeza! E eu até conheço bem estes meninos...
Não muda! É incrível! As académicas, na sua maior parte, continuam numa atitude de debilidade.
Mas há gente diferente, há estudantes diferentes... felizmente. O pior é que esses não se insurgem contra muitos destes tontos armados aos políticos!
Acordem meninos.
Bem, isto vai de mal a pior! É uma tristeza! E eu até conheço bem estes meninos...
Não muda! É incrível! As académicas, na sua maior parte, continuam numa atitude de debilidade.
Mas há gente diferente, há estudantes diferentes... felizmente. O pior é que esses não se insurgem contra muitos destes tontos armados aos políticos!
Acordem meninos.
Livros...
"...tão concentrado no seu propósito de se auto-excluir do mundo que se enrola em círculo..."
Italo Calvino, Palomar
"...tão concentrado no seu propósito de se auto-excluir do mundo que se enrola em círculo..."
Italo Calvino, Palomar
Livros...
" A paixão ocupa o tempo durante o qual uma pessoa esquece que vai morrer."
"E as grandes viagens começam por pequenos passeios no interior de nós mesmos."
Baptista-Bastos, No Interior da Tua Ausência
" A paixão ocupa o tempo durante o qual uma pessoa esquece que vai morrer."
"E as grandes viagens começam por pequenos passeios no interior de nós mesmos."
Baptista-Bastos, No Interior da Tua Ausência
Livros...
"-- A minha defesa apoia-se nos direitos do desejo -- explica.-- No deus que faz estremecer até os pequenos pássaros."
David Lurie, personagem de Desgraça, de J. M. Coetzee (Booker Prize 1999, Nobel 2003)
"-- A minha defesa apoia-se nos direitos do desejo -- explica.-- No deus que faz estremecer até os pequenos pássaros."
David Lurie, personagem de Desgraça, de J. M. Coetzee (Booker Prize 1999, Nobel 2003)
Conteúdos em Português na Internert II
1. Há muito poucos conteúdos, na internet, em língua portuguesa;
2. Há muito poucos conteúdos feitos em Portugal, quase nenhuns a bem dizer (e aqui até se deve dizer que os blogs estão a dar um contributo enorme);
3. A maior parte do que há, mesmo sobre autores portugueses é feito no Brasil (bem hajam!);
4. Onde pára o dinheiro das "Cidades Digitais"? É que não se vê nada...
1. Há muito poucos conteúdos, na internet, em língua portuguesa;
2. Há muito poucos conteúdos feitos em Portugal, quase nenhuns a bem dizer (e aqui até se deve dizer que os blogs estão a dar um contributo enorme);
3. A maior parte do que há, mesmo sobre autores portugueses é feito no Brasil (bem hajam!);
4. Onde pára o dinheiro das "Cidades Digitais"? É que não se vê nada...
Diversidades
Não resisto a publicar estes bons textos de JPP no Abrupto sobre a Turquia:
Posted 23:24 by JPP
ISTAMBUL
tem mais vida que dez cidades da Europa juntas. Parte dessa vida vem da pobreza, parte vem da história e parte vem do futuro da Turquia. Não sei que parte vencerá, mas que há uma força imensa nestas ruas de multidões, de gritos, de demografia a pleno vapor, de caos, há.
ISTAMBUL 2
Se a UE, Bruxelas como dizem os ingleses, pensa uniformizar esta rua de Istambul à força de directivas e do aquis communautaire, tire daí as ilusões. Tragam a Comissão e os burocratas uma hora ao Grande Bazar, ou melhor ainda, para lá do ouro e das carpetes, para o Bazar das especiarias, e a sua extensão natural nos mercados ao ar livre, até junto da ponte de Gálata, no meio das mil e uma variantes de azeitonas, de queijo, de fruta, de chás, de doces, de pós e folhas com cores vibrantes, misturados com sapatos, malas, perfumes com os melhores nomes falsos que há no mundo, onde tudo tem um ar proibidíssimo, e totalmente desregulado.
(Pensando bem, nós também temos a feira da Santana, só que não é no centro de Lisboa, e os produtos agrícolas são piores.)
Não resisto a publicar estes bons textos de JPP no Abrupto sobre a Turquia:
Posted 23:24 by JPP
ISTAMBUL
tem mais vida que dez cidades da Europa juntas. Parte dessa vida vem da pobreza, parte vem da história e parte vem do futuro da Turquia. Não sei que parte vencerá, mas que há uma força imensa nestas ruas de multidões, de gritos, de demografia a pleno vapor, de caos, há.
ISTAMBUL 2
Se a UE, Bruxelas como dizem os ingleses, pensa uniformizar esta rua de Istambul à força de directivas e do aquis communautaire, tire daí as ilusões. Tragam a Comissão e os burocratas uma hora ao Grande Bazar, ou melhor ainda, para lá do ouro e das carpetes, para o Bazar das especiarias, e a sua extensão natural nos mercados ao ar livre, até junto da ponte de Gálata, no meio das mil e uma variantes de azeitonas, de queijo, de fruta, de chás, de doces, de pós e folhas com cores vibrantes, misturados com sapatos, malas, perfumes com os melhores nomes falsos que há no mundo, onde tudo tem um ar proibidíssimo, e totalmente desregulado.
(Pensando bem, nós também temos a feira da Santana, só que não é no centro de Lisboa, e os produtos agrícolas são piores.)
Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Do Modus Vivendi, vale a pena ler:
Dedo na ferida
"O medo é o epicentro de toda a subalternidade", disse, com serenidade e brilho no olhar, um homem de quem gosto muito.
Parece-me uma verdade indesmentível. Apetece deixar de ter medo, sobretudo de nós próprios, das nossas fraquezas e, acima de tudo, dos nossos medos, que nos rebaixam e escravizam mais do que qualquer entidade exterior.
Ana
Dedo na ferida
"O medo é o epicentro de toda a subalternidade", disse, com serenidade e brilho no olhar, um homem de quem gosto muito.
Parece-me uma verdade indesmentível. Apetece deixar de ter medo, sobretudo de nós próprios, das nossas fraquezas e, acima de tudo, dos nossos medos, que nos rebaixam e escravizam mais do que qualquer entidade exterior.
Ana
Aqui a vida é "básica"
É até com alguma estranheza que leio as notícias que chegam de Portugal. De facto, as preocupações não são as mesmas, apesar de compreender algumas...
Aqui, nestas paragens, há outras lutas, outras guerras. E às vezes não dá para sequer perder tempo a pensar em certas coisas. Pelo menos não dá tempo para dar atenção a alguma "macacada" da comunicação social portuguesa, com grande destaque para as televisões. A esta distância muita coisa parece esquisita, desproporcionada, exagerada, enquanto os verdadeiros problemas do país andam por aí, por resolver... E esse é um problema de todos, de mentalidade e exercício diário, mas também de exemplo... e o exemplo vem de cima (seja lá onde isso for...).
Se os presos preventivos fossem gente desconhecida havia tanto alarido? Havia tanta pressão sobre juízes? Sobre Ministério público? Sobre tudo e todos? Haveria este circo todo? Não.
Não gostava que fosse condenado um só inocente, como é óbvio, mas fico triste de ser de um país onde os pobres e desconhecidos não têm certas benesses... e isso é mais claro que nunca. Não gosto de tanto ruído á volta da justiça. Não gosto de ver tanta confusão, muitas vezes lançada para o ar por gente com tantas responsabilidades!
Temo...
Mas aqui as preocupações são outras.
É até com alguma estranheza que leio as notícias que chegam de Portugal. De facto, as preocupações não são as mesmas, apesar de compreender algumas...
Aqui, nestas paragens, há outras lutas, outras guerras. E às vezes não dá para sequer perder tempo a pensar em certas coisas. Pelo menos não dá tempo para dar atenção a alguma "macacada" da comunicação social portuguesa, com grande destaque para as televisões. A esta distância muita coisa parece esquisita, desproporcionada, exagerada, enquanto os verdadeiros problemas do país andam por aí, por resolver... E esse é um problema de todos, de mentalidade e exercício diário, mas também de exemplo... e o exemplo vem de cima (seja lá onde isso for...).
Se os presos preventivos fossem gente desconhecida havia tanto alarido? Havia tanta pressão sobre juízes? Sobre Ministério público? Sobre tudo e todos? Haveria este circo todo? Não.
Não gostava que fosse condenado um só inocente, como é óbvio, mas fico triste de ser de um país onde os pobres e desconhecidos não têm certas benesses... e isso é mais claro que nunca. Não gosto de tanto ruído á volta da justiça. Não gosto de ver tanta confusão, muitas vezes lançada para o ar por gente com tantas responsabilidades!
Temo...
Mas aqui as preocupações são outras.
Pedofilia, a telenovela
Anda aí tanta tristeza e tanta vergonha! Tanta declaração, tanta afirmação, tanta análise, tanta parvoíce. Basta!
Queremos apenas a justiça! Deixem a justiça actuar, fazer justiça! Tantos filmes... não sei no que isto vai dar, mas que há muita poeira no ar e gente demais a falar, lá isso há! Há teatro a mais...
Só espero que se descubra a verdade!
Anda aí tanta tristeza e tanta vergonha! Tanta declaração, tanta afirmação, tanta análise, tanta parvoíce. Basta!
Queremos apenas a justiça! Deixem a justiça actuar, fazer justiça! Tantos filmes... não sei no que isto vai dar, mas que há muita poeira no ar e gente demais a falar, lá isso há! Há teatro a mais...
Só espero que se descubra a verdade!
Sol Nascente I
Há gente sem mais ninguém no Mundo. Há gente sem família como nós a conhecemos. Há gente perdida, sem uma mão amiga, sem conselho, sem amizade. Há gente sem caminho para percorrer, sem pedra onde descansar e pensar nas opções que se avizinham. É gente perdida, desafortunada. Como é difícil ver tanta gente assim! Como é difícil falar com jovens praticamente sózinhos, sem grande futuro à vista, mas com tanta vida, com tanto brilho nos olhos.
Hoje falei com rapazes e raparigas assim. E quanta vontade de saber, de crescer, de procurar. Quanta inocência sobre os dias que se seguem. Quanta bondade aguardando a destruição pela frustração, pelo desaire, pela fome.
Costuma ser o dia-a-dia. Mas é sempre duro de engolir. Desculpem este momento, mas vou ter partilhar mais.
Há gente sem mais ninguém no Mundo. Há gente sem família como nós a conhecemos. Há gente perdida, sem uma mão amiga, sem conselho, sem amizade. Há gente sem caminho para percorrer, sem pedra onde descansar e pensar nas opções que se avizinham. É gente perdida, desafortunada. Como é difícil ver tanta gente assim! Como é difícil falar com jovens praticamente sózinhos, sem grande futuro à vista, mas com tanta vida, com tanto brilho nos olhos.
Hoje falei com rapazes e raparigas assim. E quanta vontade de saber, de crescer, de procurar. Quanta inocência sobre os dias que se seguem. Quanta bondade aguardando a destruição pela frustração, pelo desaire, pela fome.
Costuma ser o dia-a-dia. Mas é sempre duro de engolir. Desculpem este momento, mas vou ter partilhar mais.
Terça-feira, Outubro 14, 2003
Bom almoco (sim, aqui e hora de almoco) e ate mais logo, se tudo correr bem, que isto nao anda facil.
Nao podendo escrever sobre o assunto das propinas e sobre o comportamento de alguns dirigentes associativos conforme desejaria, sobretudo depois do que tenho lido no Abrupto de JPP, fico-me subscrevendo, assim, um pouco de olhos fechados, um texto de um seu leitor, que me permito publicar:
“Sou estudante do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa(…) Não querendo interpretar o papel de “advogado do diabo”, não posso deixar de defender a figura, na generalidade, dos dirigentes associativos, até porque já o fui, apesar de criticar fortemente as actuais condutas de contestação e linhas de acção reivindicativa.
Como tudo, entendo que não deveremos entrar em fundamentalismos, e considerar que os dirigentes associativos são, como referiu um dos leitores do abrupto, “... Aqueles jovens são, muitos deles, estudantes com um estatuto especial, que podem andar o ano inteiro em festas por todo país, teoricamente em representação da instituição...”, entendo existir um pouco de exagero e excesso nestas palavras, até porque pessoalmente, enquanto dirigente associativo nunca pautei a minha conduta pelos referidos parâmetros.
O papel dos dirigentes associativos é de extrema importância quer para o funcionamento interno de um estabelecimento de ensino superior, executando papel regulador, de colaboração ou mesmo como contra-poder. A outra vertente interna é dinamização de vários aspectos desportivos ou culturais, contribuindo assim para uma formação pessoal dos indivíduos, como pessoas integrantes de uma sociedade. Á (ha) que encarar uma licenciatura não simplesmente como uma formação cientifica de cinco anos (ou talvez mais!), mas como um processo de construção quer do próprio individuo quer da própria sociedade em que está inserido, e aqui o papel do Associativismo, salvo melhor opinião, é fundamental. Esta foi a parte em que fiz o papel de “advogado do diabo”, já que dei uma na ferradura, vou agora dar uma no cravo...
No que concerne a política educativa e à relação com a tutela é que os dirigentes associativos borram a pintura, muitas vezes instrumentalizados pela esquerda, pela direita ou mesmo pelo “big brother” televisivo deste país à beira mar plantado, perdem-se por entre acções pouco inteligentes e um discurso enfadonho completamente deslocalizado da realidade do dia-a-dia de qualquer estudante.
(…)
Assim sendo entendo que existe uma necessidade de separar o que é a “figura de Dirigente Associativo”, das figuras (tristes) feitas pelos dirigentes associativos, para que o associativismo não morra esgotado nem asfixiado por aqueles que mais o deveriam apreciar e defender, os estudantes."
(António Rolha)
“Sou estudante do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa(…) Não querendo interpretar o papel de “advogado do diabo”, não posso deixar de defender a figura, na generalidade, dos dirigentes associativos, até porque já o fui, apesar de criticar fortemente as actuais condutas de contestação e linhas de acção reivindicativa.
Como tudo, entendo que não deveremos entrar em fundamentalismos, e considerar que os dirigentes associativos são, como referiu um dos leitores do abrupto, “... Aqueles jovens são, muitos deles, estudantes com um estatuto especial, que podem andar o ano inteiro em festas por todo país, teoricamente em representação da instituição...”, entendo existir um pouco de exagero e excesso nestas palavras, até porque pessoalmente, enquanto dirigente associativo nunca pautei a minha conduta pelos referidos parâmetros.
O papel dos dirigentes associativos é de extrema importância quer para o funcionamento interno de um estabelecimento de ensino superior, executando papel regulador, de colaboração ou mesmo como contra-poder. A outra vertente interna é dinamização de vários aspectos desportivos ou culturais, contribuindo assim para uma formação pessoal dos indivíduos, como pessoas integrantes de uma sociedade. Á (ha) que encarar uma licenciatura não simplesmente como uma formação cientifica de cinco anos (ou talvez mais!), mas como um processo de construção quer do próprio individuo quer da própria sociedade em que está inserido, e aqui o papel do Associativismo, salvo melhor opinião, é fundamental. Esta foi a parte em que fiz o papel de “advogado do diabo”, já que dei uma na ferradura, vou agora dar uma no cravo...
No que concerne a política educativa e à relação com a tutela é que os dirigentes associativos borram a pintura, muitas vezes instrumentalizados pela esquerda, pela direita ou mesmo pelo “big brother” televisivo deste país à beira mar plantado, perdem-se por entre acções pouco inteligentes e um discurso enfadonho completamente deslocalizado da realidade do dia-a-dia de qualquer estudante.
(…)
Assim sendo entendo que existe uma necessidade de separar o que é a “figura de Dirigente Associativo”, das figuras (tristes) feitas pelos dirigentes associativos, para que o associativismo não morra esgotado nem asfixiado por aqueles que mais o deveriam apreciar e defender, os estudantes."
(António Rolha)